Aguardei com ansiedade a estréia cinematográfica, em sua versão norte-americana, da adaptação do primeiro livro da Trilogia Millenium. Recentemente concluí a leitura dos três livros, e fiquei impressionado com a criatividade e o ritmo de leitura das três obras de Stieg Larsson. Não há dúvida de que a grande personagem desta obra é Lisbeth Salander, a anti-heroína punk da Escandinavia. Salvo as devidas proporções, ela não deixa em nada a desejar aos grandes detetives da literatura mundial como Hercule Poirot ou Sherlock Holmes, obviamente com uma alta dose cyberpunk.
O diretor do filme, David Fincher, responsável pelo espetacular Seven e Rede Social, acertou ao manter a história na Suécia, apesar das críticas com relação aos dialogos em inglês com sotaque. É impossível imaginar uma personagem com Lisbeth em uma cidade não européia. Ele representa um lance genial do autor, em criar um indivíduo capaz de sobrepor qualquer limite ou regra social pré-estabelecida. Os gênios estão fora da curva de Gauss.
Já havia assistido a versão sueca, a qual considero muito boa, mas devo admitir que a construção das personagens, ficou muito melhor na versão norte-americana. Apesar dos deslizes, no roteiro, em relação ao livro original, fiquei com a impressão dos personagens estarem mais verossímeis nesta versão recente. Não é a toa que Rooney Mara, a intérprete de Salander, será candidata ao Oscar de atriz coadjuvante. Pode ser que não ganhe, mas a sua interpretação ficará eternizada como a verdadeira Lisbeth Salander.
Gosto de personagens que conseguem transmitir a mensagem sem nenhuma palavra, e a triz Rooney Mara conseguiu isto para sua Lisbeth. A cena final em que ela programa-se para encontrar a persoanegm de Daniel Craig, Mikael Blomqvist, é impagável. Prestem atenção na mudança sútil de semblante, e você saberá exatamente o que ela esta pensando.
A leitura de um livro jamais será substituída pela sua versão cinematográfica, com raríssimas exceções, como por exemplo O Nome da Rosa de Umberto Eco. Entretanto, vejo que a Triologia Millenium terá um comportamento semlhante ao filme Você quer ser um Milionário de Dany Boyle. A versão literária, em que foi baseado, Sua Resposta Vale um Bilhão, é infinitamente superior e recomendo mesmo a aqueles que já assistiram o filme.
Por fim, gostaria de destacar a excelente cena de abertura, com a música de Led Zepllin , Immigrant Song, sampleada e com vocais de Karen O. São estes cuidados que tornam uma obra cinematográfica grande. Vejo que até a escolha da vocalista foi muito criteriosa. Acho que Karen O é uma versão real e de peso, com trocadilhos, de Lisbeth Salander.
Não é o melhor filme de David Fincher, não é o melhor thriller policial, mas sem dúvida é um filme que merece ser assistido. Se você tiver lidos os livros antes, a diversão será ainda maior, buscando as mensagens escondidas em cada cena. Porcurem a revista Expo, no cenário da Revista Millenium. Esta foi a revista a revista que autor Stig Larsson publicava antes de falecer subitamente ao concluir a triologia. Outro detalhe bem interessante é a presença do ator Joel Kinnaman, como um coadjuvante da equipe da revista Millenium. Ela faz o papel de Stephen Holder, no seriado imperdivel The Killing, o qual é baseado em uma série nórdica também.
Enfim, filme punk, presonagens punks, diretor punk. Mas mesmo sem ser punk, não deixe de assistir.
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