A ficção científica é um dos gêneros cinematográficas que mais me agrada. Acredito que, ao nos depararmos com filmes deste gênero, um novo mundo de possibilidades passa a brilhar em nosso horizontes. De fato, o primeiro filme que recordo ter assistido em minha vida foi E.T. - o extra-terrestre. Fiquei encantado pela possibilidade de existir mundos distantes, com seres ainda desconhecidos. Ainda hoje, ao rever o filme, fico emocionado com a icônica cena das crianças fugindo com o E.T. e suas bicicletas voando pelo céu.
Já assisti a vários filmes de ficção científica, e dois dos filmes do Ridley Scott estão entre os meus prediletos: Blade Runner e Alien, o oitavo passageiro. Este último é uma mistura de ficção científica e terror. A cena em que o alien surge pela primeira vez, durante o jantar dos tripulantes, as reações de cada membro da equipe, foram arquitetadas de tal maneira que até hoje, ao discutirmos vida fora do nosso planeta, nos questionamos, se encontraremos algo de bom ou mau. Vejam como a personagem Ash preve o que está acontecendo com a personagem de John Hurt. Ao final do filme, no decorrer da cena, entendemos o verdadeiro papel deste androide na aeronave. Cena excepcional, uma das melhores do cinema.
Esta cena, imediatamente me faz refletir, sobre o recente Prometheus, o qual é apresentado como a história antes de Alien, o oitavo passageiro. Se neste último filme, o papel do andróide é bem definido. No recente lançamento, o andróide interpretado de maneira visceral (?) por Michael Fassbander é o extremo da incerteza. Em nenhum momento, compreendemos a intencionalidade de suas ações. E isto, ao meu ver, torna um filme que tinha tudo para dar errado, espetacular.
Nesta nova obra, Scott pretende discutir não só as origens dos Aliens, mas possivelmente a origem da humanidade. A cena inicial, é muito interessante e lembra um pouco o início do inesquecível 2001 de Stanley Kubrick. Acredito que ele tenha bebido um pouco nas fontes de Erick Von Deiken e J.J. Benitz, pois a interpretação que ele nos apresenta é que de fato os "deuses eram astronautas". Neste aspecto, acho que tenha deslizado no roteiro, pois surge a impressão de que estes três minutos iniciais de projeção, derrubaram milhares de anos de darwinismo e evolucionismo.
O filme narra a jornada de um grupo de cientistas patrocinados por uma grande empresa, A Wayland que aparece em todos os filme da séries Alien, em busca destes deuses astronautas. Durante esta jornada somos apresentados a melhor personagem do filme, o andróide David. Enquanto toda tripulação hiberna por dois anos, David segue um rotina diária rigida e desenvolve uma profunda admiração por Peter O'Tool e sua personagem em Lawrence da Arábia (LA). Gosto muito de referências de filmes em outros filmes, pois nos permitem entender um pouco as influências do diretor. Acredito que o nome do andróide, David, é uma homenagem do diretor a David Lean, o qual dirigiu LA. É marcante a cena em que Fassbander, enquanto assisti ao filme LA, tingi seus cabelos, para ficar semelhante a O'Toole. Além disso, revela-se um pouco dos segredos do filme com a cena da brincadeira com os fósforos
O personagem de O'Toole é um ser estranho em uma terra estranha, que ganhará muita importância no decorrer da história. Explico: ele é um soldado britânico pouco interessado na guerra, mas buscando se descobrir e entender o mundo, mas ao final mudará a trajetória da Grande Guerra no Oriente Médico. O andróide David, também é um estranho em meio aos homens, que não compreende a razão de sua existência, mas que terá um grande papel na "estória". Além disto a brincadeira com o fogo, remete a própria lenda de Prometeus, o qual foi expulso do Olimpo por Zeus, ao presentear a humanidade com o fogo. Seu castigo foi ter seu fígado devorado por toda a eternidade por águias. No filme, entendemos que ao recebermos algo que não somos capazes de compreender ou respeitar, podemos ter conseqüências graves. Além do que, há uma relação entre o castigo de Prometeus e o surgimentos dos Aliens, pois ambos destroem as nossas entranhas.
Como esperado, os cientistas alcançam o seu objetivo e encontram sinais dos nossos deuses astronautas, mas como todo ser arrogante, não sabem lidar com isto. Nisto surge um dos diálogos mais interessantes do filme. David conversa com um dos cientistas e pergunta, por que eles o criaram. O cientista de maneira arrogante diz: "Porque nós podemos". E o andróide responde: "Imagine o desapontamento que você teria se ouviste isto dos seu criador". Na seqüência, pergunta ao cientista: "O que faria para alcançar aquilo que sempre sonhou?". O humano responde: "Tudo". E ao assistirmos o filme, percebemos o quanto a nossa arrogância é responsável pela nossa destruição. David cita mais uma vez O'Toole: "Grande acontecimentos, tem um início pequeno". Na ocasião, isto se referia ao impacto de um pequeno exército Beduíno contra os Turcos, e suas repercussões na grande guerra.
David é um ser em construção, em evolução? Ele não pode experimentar emoções? Mas por que gosta de partilhar os sonhos dos tripulantes? Eu vejo que o que nos motiva em seguir em frente é a incerteza do amanhã. A busca de emoções ainda não experimentadas. O que motivaria um andróide? Compreendemos no decorrer da trama que David, obedece ao seu pai, o seu criador. Poucos reconhecem Guy Pearce, sob uma péssima maquiagem. Entre ele e David se estabelece mais um diálogo interessante. O fundador da empresa e patrocinador da empreitada, acredita que ao encontrar os deuses astronautas, encontrará a chave para a vida eterna. Já prevendo que o encontro entre os seres humanos e os deuses não seria proveitosa, David utiliza uma das frases de O'Toole em LA: "Não há nada no deserto e o homem não precisa de nada". Isto já prevê a decepção da personagem de Pearce, que não alcançará nada após tamanha dedicação a viagem. Eu vejo mais adiante, qual a importância de compreendermos de onde viemos, para que viemos e para onde vamos, se não vamos utilizar isto para o bem maior. No "deserto" não há nada, ao nosso lado, entre os seres humanos, há muito a ser encontrado e partilhado.
David é um ser em construção, em evolução? Ele não pode experimentar emoções? Mas por que gosta de partilhar os sonhos dos tripulantes? Eu vejo que o que nos motiva em seguir em frente é a incerteza do amanhã. A busca de emoções ainda não experimentadas. O que motivaria um andróide? Compreendemos no decorrer da trama que David, obedece ao seu pai, o seu criador. Poucos reconhecem Guy Pearce, sob uma péssima maquiagem. Entre ele e David se estabelece mais um diálogo interessante. O fundador da empresa e patrocinador da empreitada, acredita que ao encontrar os deuses astronautas, encontrará a chave para a vida eterna. Já prevendo que o encontro entre os seres humanos e os deuses não seria proveitosa, David utiliza uma das frases de O'Toole em LA: "Não há nada no deserto e o homem não precisa de nada". Isto já prevê a decepção da personagem de Pearce, que não alcançará nada após tamanha dedicação a viagem. Eu vejo mais adiante, qual a importância de compreendermos de onde viemos, para que viemos e para onde vamos, se não vamos utilizar isto para o bem maior. No "deserto" não há nada, ao nosso lado, entre os seres humanos, há muito a ser encontrado e partilhado.
O filme tem cenas espetaculares, mas acho que o 3D seria dispensável. E seu final, acaba sendo previsível demais, tirando o encantamento das reflexões que Scott conseguiu nos trazer ao final de Blade Runner e Alien, o oitavo passageiro. Entretanto, a interpretação de Fassbander, seus quinze minutos de solidão, valem todo o filme. Acho um filme ainda pouco compreendido, que ganhará espaço não apenas entre os grandes filmes de 2012, mas também entre as grandes ficções de todos os tempos. Outro destaque no elenco é Noomi Rapace. Sua escolha como a "avó" de Ripley foi perfeita. É a Lisbeth Salander viajando ao espaço. Sua obstinação é extrema, culminando com a já clássica cena da "auto-cirurgia". Apesar das incongruências médicas, há muito tempo não assistia a cena tão chocante no cinema. Naqueles poucos minutos, Scott conseguiu despertar sentimentos de dor, horror e angústia. Cinema verdadeiramente visceral.
PS - Se você leu este post e ainda não assistiu ao filme, repare em um detalhe. A nave é apresentada com 17 tripulantes. Quantos compareceram a reunião da equipe após a hibernação?