domingo, 25 de dezembro de 2011

Mr. Holland - o meu filme predileto


O cinema, de fato, é uma arte fantástica. Não há regras para aprecia-lo, não há estilo ou gênero superior a outro. Tudo depende do ponto de vista do espectador. Recordo-me com vaga lembrança o primeiro filme que assisti, o fabuloso E.T. - o extra-terrestre. Ao ver a cena final, em que o pequenino E.T. se despede dos amigos e pede para voltar para sua casa, dizendo "Home". Chorei muito e pedia para ele não nos deixar, não nos abandonar, enfim, para mim aquele filme era tão real, quanto os teclados que uso para digitar este texto. A mágica do cinema estava realizada, e fui pego por esta magia, a qual me acompanha diariamente.

Não tenho idéia de quantos filmes assisti até hoje, mas me recordo, claramente daqueles de que uma maneira maior ou menor fizeram-me refletir e tornar-me uma pessoa melhor. Talvez nenhum outro filme tenha trazido tanta influência em minha vida quanto Mr. Holland, com subtítulo nacional, meu adorável professor. É um filme que sempre que posso, revejo e reflito. A história gira em torno de um músico interpretado pelo ótimo Richard Dreyfuss, que por reviravoltas do destino torna-se professor de música em escola secundária norte-americana. De fato, o sonho do música, fã incondicional de Cole Porter, é escreve uma sinfonia e ganhar o mundo. Entretanto, sua esposa engravida e ele tem de assumir responsabilidade da casa, e do seu filho vindouro. Se sonho individual é postergado em detrimento de sua família.

Não imaginava o quanto vivenciaria tamanha decisão em minha vida pessoal. Deixar um carreira em ascensão e reiniciar tudo a partir do zero em uma nova cidade, foi algo, assim, como Mr Holland que tive de optar e decidir. Como sempre, não é uma decisão fácil, e muitos conflitos surgem. No filme, o professor, frustrado por não seguir com sua carreira de músico, tem dificuldades de relacionamento em casa, em particular com seu filho. Este por ironia do destino, nasceu surdo, o que frustra a natural projeção paterna em seu filho. Acompanhar este relacionamento, fez-me entender que não podemos culpar a nossa família pelas decisões que tomamos, pois amar é renunciar em detrimento do outro. A cena de reconciliação entre pai e filho, ao som da música Beautiful Boy de John Lennon é espetacular. Não há como conter as lágrimas:

Entretanto, a principal influência deste filme em minha vida foi o estímulo enorme para que eu pudesse seguir a carreira de professor. Ao acompanhar a carreira de Mr. Holland por quase trinta anos, o filme permitiu perceber, que um professor vai além do ensino técnico daquilo que se propõe, seja música ou medicina. Um professor pode auxiliar na formação de cidadãos e assim contribuir para o surgimento de um mundo melhor. Bingo! Fui tocado. Quem não gostaria de alguma forma de modificar o mundo, deixar uma marca no universo. Percebi que ser reconhecido universalmente é algo para poucos, mas podemos deixar nossa marca nas pessoas que convivemos, e se nos esforçarmos, esta maca pode ser bem positiva.

O personagem Mr. Holland, através de seu entusiasmo, transforma a vida de seus alunos. Por exemplo, uma jovem e tímida aluna, através da confiança por ele inserida, no futuro, não se torna uma musicista, mas sim uma grande parlamentar norte-americana. E, no fim, ao se aposentar, sem nunca ter se tornado um músico famoso, rege a sua tão desejada sinfonia. Ao meu ver, isto foi uma maneira simbólica de dizer, que o maior impacto da carreira deste homem, não foi na música, mas na vida das pessoas com quem conviveu. Enfim, ele pode não ter regido grandes orquestras, mas ajudou a compor e reger a vida de muitas pessoas.


Não sei como será a minha carreira, ou se, de fato, conseguirei ser um bom professor. Acho que como assim Mr Holland, a arte de ensinar tem der moldada e polida durante a sua vida. Para ensinar, teremos de estar eternamente dispostos a aprender. Provavelmente, não terei um despedida tão gloriosa ao fim da minha carreira, mas ficarei feliz se tiver conseguido transformar, para melhor, a vida de ao menos um único aluno.

domingo, 13 de novembro de 2011

A Pele que Habito - Almodovar brinca de Mary Shelley

Uma das coisas mais incriveis que Maíra tem é a capacidade de se abrir ao novo, conhecer novas ideias e pensamentos. Lembro-me de que quando começamos a namorar, há mais de dez anos, convidei-a a ir ao show de uma banda de um amigo meu na Rua Chile aqui em Natal. A noite era chuvosa, o local não muito agradável, e som das bandas daquela noite soavam muito distantes do ritmo MPB a que ela estava acostumada. Mesmo assim, ela foi e com a maior paciencia do mundo aguardou até a última banda, que era do meu amigo. Pode ter sido um gesto simples, mas já revela a sua capacidade de renunciar suas vontades em detrimento do interesse de alguém que gosta, no caso eu, que ama.

Acontece que dez anos após aquele show, faço mais uma proposta indecente a Maira. Convidei-a a assistir ao mais novo filme do polêmico Pedro Almodovar, A Pele que Habito. E mesmo conhecendo o histórico do diretor de Tudo sobre Minha Mâe, ela não recusou. E acho que desta vez acertei...

O filme foge um pouco do estilo tradicional de Almodovar, pois se trata de um suspenso com um quê "hitchcockiano". E ele acerta. O enredo conta a história de um brilhante cirurgião plástico interpretado por Antonio Banderas (em surpreendente interpretação) que desenvolve uma pele artificial e faz seus "experimentos" em um ser vivo, a bela jovem interpretada por Elena Naya. Após uma grande perda, este cirurgião busca redenção e expurgo dos seus traumas no trabalho e com isto acaba perdendo o limite da razão. Em seu trabalho é auxiliado pela governanta interpretada pela espetacular Marisa Paredes, a qual atua como sua conciência muitas vezes.

O uso de cores sempre foi muito marcante no trabalho de Almodovar, e neste as cores se tornam mais discretas, mais sombrias. Chamou-me muita atenção a escolha dos quadros que embelezam as paredes da casa, todos com muito nu, revelenado a obsessão do cientista pelo corpo, pela pele. Um destes quadros é uma livre interperetação do Nascimento de Vênus de Sandro Botticelli, em que a mesma aparece sem rosto. Seria isto um maneiro de demonstrar que hoje somos seres sem identidade obcecados apenas pelo nosso corpo?

O filme discute aspectos importantes, particularmente a ética na pesquisa e no uso dos conhecimentso adquiridos. Conseguimos preservar os limites do bom senso? Ou para obter um bom resultado devemos nos desafzer de nossos escrupulos? Aliás, ética e honestidades em nossas ações é algo que debatemos com vigor nos dias atuais. Surpreendemo-nos com aqueles que são sincereos, simples e honestos. Deixamos de acreditar nas palavras e buscamos o legalizmo exagerado.

Algo muito tocante no filme é a interpretação de Marisa Paredes, a qual descobrimos no decorrer da pelicula ser a mãe de Antônio Banderas. Aliás, dela vem uma das falas mais marcantes do filme. Ao descobrir que seus filhos se toraram pessoas más e sem escrupulos, afirma: "A culpa é minha. A Maldade vem das minhas entranhas". De certa forma, assume a herança genética que deixou na personalidade de seus filhos. Um deles é Antonio Banderas e o outro é o "Tigre". Ambos não foram criados por ela. O primeiro foi adotado por uma familia abastada e se tornou cirurgião, o segundo foi adotado por brasileiros e cresceu ao lado de traficantes em uma favela do Rio de Janeiro. Ambos se tornaram, ao seu modo, homens crueis. Almodovar parece querer nos dizer que o nosso carater é determinado pela nossa ascendencia e que o ambiente não é capaz de modificá-lo, pelo contrário apenas piorá-lo. Lembrro-me de uma frase de meu pai: Ao envelhcermos não melhoramos nossos defeitos, pelo contrário, acentuamos.

Em seus experimentos, o personagem de Antonio Banderas atua como um Dr Frankenstein moderno e, de certo modo, acaba sendo dominado por sua criatura também. E nesta atitude, no intuito de criar o ser com pele perfeita, Almodovar nos faz refletir sobre quem somos. Vivemos um momento de relações superficiais, em que as pessoas são julgadas pela sua parencia exterior. Em busca de aceitação, muitas pessoas lutam por um corpo perfeito e esquecem o seu interior, não trabalhando a sua alma. A última cena do filme, impactante, deixa bem claro isto, por mais que o corpo esteja modificado, a nossa essência é a mesma.

Filme espetacular, como há muito tempo não via em telas potiguares, permitindo debates por horas a fio como um bom cinéfilo gosta. Infelizmente, não poss detalhar muito o filme, pois isto prejudicaria a visão daqueles que ainda não o assistiram. Almodovar dá significado a sétima arte.


domingo, 9 de outubro de 2011

O Escrito Fantasma - Roman Polanski mostra o que aprendeu com Agatha Christie e Alfred Hitchcock

Recordo-me do primeiro livro que ganhei em minha vida, de fato, não um, mas vários livros. Foi uma coleção de diversas fábulas infantis que recebi de meus pais. Os livros chamavam-me a atenção muito mais pelo efeitos holográficos das gravuras que pelo seu conteúdo, mas ali estava o ponta-pé inicial de uma paixão. A partir daqueles livros, que minha mãe guarda até hoje em sua casa, comecei a minha relação com os papiros modernos. Entretanto, o primeiro livro que me recordo ter lido com imenso prazer foi "O caso dos dez negrinhos"de autoria de Agatha Christie. Este livro recebi de presente de aniversário de minha tia Cláudia em 1992 e ainda o guardo em minha humilde biblioteca. A história tipicamente detetivesca envolveu-me profundamente e prendeu-me da primeira a última página. Ao final, fiquei ávido por novos mistérios e passei a procurar livros da mesma autora. Tive a grata surpresa de descobrir uma imensa coleção de livros da autora, a dama do suspense inglês, na biblioteca da minha avó Tereza. Li dezenas de seus livros, e passei a considerar Hercule Poirot ou Miss Marple, suas personagens principais, meus verdadeiros amigos. Não tenho dúvido, que a leitura destes livros de mistério e investigação, acabou influenciando minha carreira profissional. Quem não se sente feliz de descobrir ou decifrar algo, tornando-o óbvio para os demais? O médico ele torna simples o que parece complicado, ao conseguir reunir vários sinais e sintomas, e com isso, definir um diagnóstico. Um bom médico é um detetive, em busca de detalhes, para encontrar o seu "suspeito": o diagnóstico do paciente. Para este profissional, assim como para o detetive, não deve ser considerado irrelevante. Nos detalhes estão as respostas para o mistério.

Este fim-de-semana, tive a grata surpresa de assistir a um belo filme do diretor Roman Polanski, chamado "O Escritor Fantasma". Fã de literatura policial, acabei me tronando fã incondicional de filmes de suspense e investigativos. Neste filme, em pleno estilo hitchcockiano, Polanski coloca um cidadão comum, um escritor em uma situação incomum, no meio de uma densa trama de mistério e crimes. O jovem escritor, interpretado pelo fenomenal Ewan McGegor, é contrato para ser o escritor fantasma da biografia de um ex-primeiro ministro inglês, interpretado pelo ator Pierce Brosnan, em excelente atuação. Ao iniciar o seu trabalho, acaba descobrindo segredos do passado do político inglês e passa a ser perseguido por deter tais informações.

É um filme simples, de poucos cenários e centrado principalmente nas interpretações excepcionais de todos os atores, incluindo a esposa do polítco Ruth, interpretada por Olivia Williams  e a secretária do mesmo interpretada por Kim Catrall, mais conhecida por suas participações na série "Sex and the City". Todos os personagens parecem esconder algum segredo, e isto cria uma atmosfera de tensão em toda a narrativa que é retratada pela personagem de Ewan McGregor. Aliás, sua interpretação cresce de maneira magistral com a narrativa. Chamou-me muito a atenção uma cena em que ao chegar a ilha onde o político mora e inciar os seus trabalhos, o escritor olha pela janela e vê um dos empregados da casa tentando juntar as folhas da entrada da casa, mas tem seu trabalho prejudicado pelo vento. O escritor se solidariza e se simpatiza com ele por parecer que ambos estão fazendo um trabalho em vão.

Na tentativa de dar maior significado ao trabalho, o escritor passa a dar menos atenção aos fatos históricos e valorizar as informações pessoais do ex-primeiro ministro. Com isto, passam a surgir problemas e seu manuscrito, a simples biografia, passa ter importância crucial na história. Aliás, fico com a impressão de que a biografia é uma personagem do filme. Polanski consegue através de sua narrativa transparecer isto. A grande personagem é a biografia, pois todas as ações giram em torno dela. Isto faz me lembrar a estrutura narrativa que Hitchcock costuma utilizar em seus filmes. Ele costumava dizer que um bom filme tem de ter um "McGuffin", o qual seria um objeto ou desfecho em que o ciclo de ações das personagens gira em torno. O exemplo clássico pode ser facilmente identificado no filme "Falcão Maltês" com Humphrey Bogart, ou na própria obra de Hitchcock, como o "Homem que sabia demais". Neste filme, James Stewart envolve-se em uma trama de assassinato internacional após receber uma informação de um moribundo nas ruas do Marrakeshe no Marracos. Não sabemos que informação é esta até o desfecho final do filme. No filme de Polanski, não sabemos por que o manuscrito é tão importante até a sequencia final, em que um pequeno detalhe (lembram-se da história dos detalhes?) nos esclarece.

O final do filme é muito revelador, mas se o espectador for atento aos detalhes, já terá descorbeto o desfecho da trama antes de chegar a sequencia final do filme. Aliás, a cena final é uma das melhores que já vi. O final ambiguo permite ao espectador construir sua sequencia final de maneira individual, em sua mente. E este é o grande papel do cinema: estimular a nossa imaginação. Um bom filme consegue ser conduzido, mesmo sem diálogos, pois a imagem é tudo. Polanski tem êxito com este filme.



O filme nos permite questionar um pouco o quanto devemos ser fiéis aos nossos ideais. O escritor foi contratado apenas para completar uma biografia, mas seria necessário ter ido tão longe em sua investigação? Será que sempre devemos ir além dos nossos limites? Até quando devemos respeitá-los? Deixo estas perguntas e mais uma: qual o nome da personagem de Ewan McGreggor no filme? 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Cartas de Iwo Jima - Lições com palavras e ações

Esta semana tive uma grata surpresa. Ao trabalhar com alguns papéis antigos, acabei encontrando uma carta de um amigo meu de infância, Paulo Marcelo. Ele escreveu esta carta logo após minha mudança da cidade de São José dos Campos para Natal. Ao reler a carta, guardei duas impressões: primeiro, de que vivi em um tempo em que para ter de contactar um amigo precisava usar papel e lápis, e ter muita criatividade na escrita; a segunda, foi a lembrança da emoção de receber um carta e vibrar com as notícias por ela transmitidas. Nesta carta específica, o meu grande amigo conta como foram seus dias de férias, e na inocência pueril, descreve com exaltação o encontro com uma lesma do mar, na gélida praia das Toninhas em Ubatuba, litoral de São Paulo. Sua descrição é tão precisa e rica em detalhes que acabei mergulhando com a minha imaginação naquele dia ensolarado de verão, como se estivesse ao seu lado. Que saudades...

Este pequeno e breve momento fez-me lembrar do belíssimo filme do grande diretor norte-americano Clint Eastwood o qual dá título a este texto. Este filme é um relato fiel de um dos momentos mais marcantes da II Guerra Mundial na região do Pacífico, um pouco esquecidos pelos livros de história. A ilha de Iwo Jima representava uma área estratégica, pois a sua conquista facilitaria a invasão norte-americana no território japonês. Entretanto, ao contrário de filmes pretéritos, este é feito sob a visão dos soldados japoneses, e não dos norte-americanos. Com isto, o estimado Clint conseguiu criar um filme em que não apenas entendemos mais um evento histórico, mas compreendemos os valores e culturas de um povo. Ao final, podemos concluir que em uma guerra não há vencedores ou derrotados, mas apenas pessoas comuns que sofrem por desejos e vontades alheias a sua realidade.

O filme é baseado em uma extensa pesquisa histórica a respeito dos acontecimentos que determinaram a derrota japonesa em uma das mais sangrentas batalhas naquela grande guerra. Muitas informações foram adquiridas a partir de cartas de soldados japoneses a seus familiares. E esta visão minimalista é que diferencia o filme de Clint de outros que retrataram o mesmo tema. Ao decorrer do filme, temos a visão de um simples soldado e do grande general Kurybaiashi, vivido pelo ator Ken Watanabe. Eles escrevem cartas de memórias ou aos seus familiares, apresentando seus questionamentos e as dúvidas mais prosaicas. Aliás, o filme começa com uma grande cena: enquanto os soldados cavam trincheiras na beira mar, à espera dos invasores norte-americanas, um deles questiona - "será que estamos cavando nossas próprias covas?". Isto já nos permite refletir sobre o significado de nossas ações diárias. Será que damos significado a tudo aquilo que realizamos? Ou estamos apenas cavando nossas próprias covas, ou seja, trabalhando em coisas sem sentido?

Ao contrário dos norte-americanos, que acreditavam em sua vitória, os japoneses não tinham dúvida alguma sobre a sua derrota. Mesmo assim, mostraram o quanto eram resistentes, transformando uma batalha que deveria durar dias em semanas. E nesse ponto, o filme ganha uma conotação interessante, pois mesmo o estudado e viajado general Kurybaiashi não questiona em nenhum momento a sua missão e não desiste até o último momento da defesa do seu povo, dos seus valores. Quantos de nós perseveramos em nossas crenças e conceitos, mesmo diante da "morte" iminente? Não coloco em pauta os aspectos de honra, mas a simplesmente a nossa palavra de compromisso. Vivemos em uma sociedade que valores individuais superam o coletivo. Aqueles soldados se sacrificaram em valor de algo muito maior que suas próprias vidas: o bem-comum.

Uma das cenas mais emocionantes do filme, ao meu ver,  foi aquela em que observamos o zeloso cuidado do Barão Nishi com o ferido soldado norte-americano. Com esta cena, acho que fica claro, o quanto que a guerra não deve ser entre homens e sim entre ideais. Portanto, não há razão para violência física.



A atmosfera de sofrimento e tristeza cresce no decorrer do filme, e se observamos com atenção, a medida que o filme avança, a película ganha um tom cada vez mais cinzento. Este cinza, sob minha visão, significa a proximidade da morte, da derrota. Este cinza carrega um ar de melancolia, o qual todos nós temos ao chegar ao final de uma jornada e não termos alcançado os objetivos traçados. Esta semana, perdemos o genial Steve Jobs e ele colocou em seu já eternizado discurso para os graduandos de Stanford, que sua principal motivação era a certeza da morte. Isto o fazia aproveitar seus dias ao máximo e tentar tornar seu dia seguinte ainda melhor, pois se quisesse alcançar os seus sonhos, o tempo não seria algo sob seu controle. Revejo a maneiro como conduzimos nossas vidas e reflito diariamente se de fato estamos fazendo o nosso melhor. Os japoneses sabiam que seu fim poderia estar no próximo tiro e jamais deixaram de se motivar em fazer algo melhor que o dia anterior.

O filme encerra com uma imagem belíssima das praias da ilha de Iwo Jima, onde ocorreram sangrentas batalhas e muitos morreram, ao som da grandiosa trilha sonora, a qual me fez lembrar o penoso toque da corneta de Montgomory Clifft no filme "A um passo da eternidade". Ele toca em homenagem ao seu amigo, assassinado por razões insginificantes. No filme de Clint, fica a impressão de que muitos morreram por razões não muito claras.

 O que alcançaremos com nossas vidas? Todos morreremos na praia em nossas frustadas tentativas de conquistar algo grandioso? ou morreremos ao lado dos nosso entes queridos com a "missão" cumprida? O final sem diálogos traduz esta sensação.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Larry Crowne - quando um grande ator perde sua coroa como diretor

Assistir a um filme no cinema sempre desperta uma emoção a mais. O fato de estarmos diante de uma tela enorma desperta de maneira inconciente o quanto somos insignificantes para o mundo, mas podemos ser extremamente especiais para quem está ao nosso lado. De qualquer forma, ao apagar das luzes e ao ouvirmos o som do projetor, uma sensação diferentes nos domina. Portanto, a expectativa que é gerada para as próximas duas horas de projeção é enorme. Como saíremos após ao fim do filme? Mais felizes? Mais tristes? Pessoas mais dispostas a mudar a realidade em nossa volta?
Escolher o filme a ser assistido passa a ser então uma decisão de como conduziremos nossa vida daquele ponto em diante (na verdade, não acho que todos encaram com tamanha seriedade a escolha de um filme). Esta semana, fomos envolvidos pela propaganda do mais novo filme de Tom Hanks, entitulado "Larry Crowne".

Um filme estrelado por um ganhador de dois Oscar não deixa de ser atrativo. Além do que, seria a sua estréia na direção com roteiro próprio. Enfim, finalmente o ator consiguirá externar de maneira plena toda a sua criatividade. Entretanto, o resultado foi desastraso.
O filma conta a história do personagem título, que perde seu emprego em uma rede de supermercados, por não ter nível superior. E numa tentativa de buscar uma nova direção em sua vida, Larry opta por retornar, ou melhor, iniciar a faculdade. Nisto, a idéia de Hanks foi muito interessante, pois coloca o típico americano -branco, protestante e caucasiano, no miolo da crise financeira que assola aquela nação. Poderia, ser um belo filme sobre a redifinição do povo americano e seus valores, mas acaba descambando para uma péssima comédia pastelão. A primeira vez que vi um filme com Hanks, foi o fenomenal "BIG - Quero ser grande" e, até hoje, fervilha em minha mente, a cena dele tocando o piano gigante na loja de brinquedos.
 Ele interpretava naquele filme, um jovem de treze anos inconformado com as limitações socias de sua idade, e que em um passe de mágica, torna-se um adulto. Ao final, o jovem compreende que ser adulto tem muito mais obrigações do que diversões, e entende que a vida tem diferentes etapas que devem ser cumpridas no momento certo. No seu novo filme, o personagem de Hanks, o Larry do título, quer não apenas voltar a estudar, mas voltar a ser um jovem universitário. E neste ponto, o filme perde o seu rumo, assim como o personagem. A idéia, o enredo se perdem nas tentativas do fracassado Larry em se enturmar com os jovens da faculdade. Ele troca seu guarda-roupa, compra uma lambreta e faz piada com tudo. Ridículo...
Uma bela oportunidade de mostrar a realidade americana sob a ótica de um americano sofrendo as penalidades da globalização e concorrência, acaba sendo perdida. O que passamos a acompanhar é um verdadeira repetição de clichês, inclusive o mais batido: o aluno que se apaixona pela professora. Aliás, a personagem de Júlia Roberts (belíssima atriz, sejamos honestos), não mostra a que veio. O mau-humor da personagem é diretamente proporcional a insatisfação da atriz e seu desconforto com o papel. O enredo não consegue, inclusive, explicar como o simpático Larry se apaixona pela tenebrosa professora.
Apesar de tudo isto, ao final do filme, eu e Maira saímos rindo. Para aqueles que ainda tiverem disposição de encarar o filme após esta resenha, não deixem de assistir aos créditos finais: a melhor parte do filme. Tom Hanks e Julia Roberts em cima da lambreta, em estúdio, com imagens monatadas ao fundo e ao som de uma música alegre. Eles riem e acenam para a platéia, como dizendo: "Obrigado seus panacas! Fiz o meu filme, ganhei minha grana e ainda consegui enganar vocês! Obrigado! HaHaHa!".
Como dizia no início, assistir a um filme sempre desperta uma emoção a mais. Jamais imaginaria que seria enganado belo bom moço, Tom Hanks, o Forrest Gump. Mas como dizia o seu personagem no filme homônimo: " A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar". Eu parafrazeio e digo: "Um ator que vira diretor é como uma caixa de chocolate, você nunca saberá que tipo de filme vai encontrar".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Por que começar um blog sobre cinema?

Acredito que partilhar idéias e conhecimentos é o melhor caminho para construção de uma sociedade mais produtiva e tolerante. Qaundo lei artigos assinados por Stephen Kanitz ou Lya Luft, fico imaginado em que posso acrescentar.
Meus familiares e amigos mais próximos sabem o apreço que tenho pela sétima arte, dedicando-me ao seu entendimento de forma quase obsessiva. Sou capaz de passar horas discutindo sobre as impressões e sentimentos despertados por um filme.
Acho que ao criar este blog, posso deixar registrada a minhas impressão sobre as películas que mais me agradaram e partilhá-las de maneira definitiva com meus amigos mais próximos.
Não tenho como objetivo atingir um quantidade, mas permitir que possa melhorar a qualidade com que eu e e aqueles que estão próximos apreciam a um filme.
Não tenho conhecimento técnico, mas acredito que tenha um coração e uma mente aberta a entender aquilo que um cineasta ou um ator gostariam de comunicar através de uma cena ou de um diálogo.
Não discutirei filmes inteiros, mas eventualmente, alguma cena ou diálogo em particular. Poderei falhar em alguma precisão nas informações técnicas, mas acredito que no escurinho do cinema, mais vale a emoção do que a razão. Para abrir este blog, deixo uma das cenas mais emblemáticas do cinema , do filme "Um corpo que cai" de Alfred Hitchcock: