O cinema, de fato, é uma arte fantástica. Não há regras para aprecia-lo, não há estilo ou gênero superior a outro. Tudo depende do ponto de vista do espectador. Recordo-me com vaga lembrança o primeiro filme que assisti, o fabuloso E.T. - o extra-terrestre. Ao ver a cena final, em que o pequenino E.T. se despede dos amigos e pede para voltar para sua casa, dizendo "Home". Chorei muito e pedia para ele não nos deixar, não nos abandonar, enfim, para mim aquele filme era tão real, quanto os teclados que uso para digitar este texto. A mágica do cinema estava realizada, e fui pego por esta magia, a qual me acompanha diariamente.
Não tenho idéia de quantos filmes assisti até hoje, mas me recordo, claramente daqueles de que uma maneira maior ou menor fizeram-me refletir e tornar-me uma pessoa melhor. Talvez nenhum outro filme tenha trazido tanta influência em minha vida quanto Mr. Holland, com subtítulo nacional, meu adorável professor. É um filme que sempre que posso, revejo e reflito. A história gira em torno de um músico interpretado pelo ótimo Richard Dreyfuss, que por reviravoltas do destino torna-se professor de música em escola secundária norte-americana. De fato, o sonho do música, fã incondicional de Cole Porter, é escreve uma sinfonia e ganhar o mundo. Entretanto, sua esposa engravida e ele tem de assumir responsabilidade da casa, e do seu filho vindouro. Se sonho individual é postergado em detrimento de sua família.
Não imaginava o quanto vivenciaria tamanha decisão em minha vida pessoal. Deixar um carreira em ascensão e reiniciar tudo a partir do zero em uma nova cidade, foi algo, assim, como Mr Holland que tive de optar e decidir. Como sempre, não é uma decisão fácil, e muitos conflitos surgem. No filme, o professor, frustrado por não seguir com sua carreira de músico, tem dificuldades de relacionamento em casa, em particular com seu filho. Este por ironia do destino, nasceu surdo, o que frustra a natural projeção paterna em seu filho. Acompanhar este relacionamento, fez-me entender que não podemos culpar a nossa família pelas decisões que tomamos, pois amar é renunciar em detrimento do outro. A cena de reconciliação entre pai e filho, ao som da música Beautiful Boy de John Lennon é espetacular. Não há como conter as lágrimas:
Entretanto, a principal influência deste filme em minha vida foi o estímulo enorme para que eu pudesse seguir a carreira de professor. Ao acompanhar a carreira de Mr. Holland por quase trinta anos, o filme permitiu perceber, que um professor vai além do ensino técnico daquilo que se propõe, seja música ou medicina. Um professor pode auxiliar na formação de cidadãos e assim contribuir para o surgimento de um mundo melhor. Bingo! Fui tocado. Quem não gostaria de alguma forma de modificar o mundo, deixar uma marca no universo. Percebi que ser reconhecido universalmente é algo para poucos, mas podemos deixar nossa marca nas pessoas que convivemos, e se nos esforçarmos, esta maca pode ser bem positiva.
O personagem Mr. Holland, através de seu entusiasmo, transforma a vida de seus alunos. Por exemplo, uma jovem e tímida aluna, através da confiança por ele inserida, no futuro, não se torna uma musicista, mas sim uma grande parlamentar norte-americana. E, no fim, ao se aposentar, sem nunca ter se tornado um músico famoso, rege a sua tão desejada sinfonia. Ao meu ver, isto foi uma maneira simbólica de dizer, que o maior impacto da carreira deste homem, não foi na música, mas na vida das pessoas com quem conviveu. Enfim, ele pode não ter regido grandes orquestras, mas ajudou a compor e reger a vida de muitas pessoas.
Não sei como será a minha carreira, ou se, de fato, conseguirei ser um bom professor. Acho que como assim Mr Holland, a arte de ensinar tem der moldada e polida durante a sua vida. Para ensinar, teremos de estar eternamente dispostos a aprender. Provavelmente, não terei um despedida tão gloriosa ao fim da minha carreira, mas ficarei feliz se tiver conseguido transformar, para melhor, a vida de ao menos um único aluno.