domingo, 1 de julho de 2012

Prometheus - A "promessa" não cumprida de Ridley Scott

A ficção científica é um dos gêneros cinematográficas que mais me agrada. Acredito que, ao nos depararmos com filmes deste gênero, um novo mundo de possibilidades passa a brilhar em nosso horizontes. De fato, o primeiro filme que recordo ter assistido em minha vida foi E.T. - o extra-terrestre. Fiquei encantado pela possibilidade de existir mundos distantes, com seres ainda desconhecidos. Ainda hoje, ao rever o filme, fico emocionado com a icônica cena das crianças fugindo com o E.T. e suas bicicletas voando pelo céu. 

Já assisti a vários filmes de ficção científica, e dois dos filmes do Ridley Scott estão entre os meus prediletos: Blade Runner e Alien, o oitavo passageiro. Este último é uma mistura de ficção científica e terror. A cena em que o alien surge pela primeira vez, durante o jantar dos tripulantes, as reações de cada membro da equipe, foram arquitetadas de tal maneira que até hoje, ao discutirmos vida fora do nosso planeta, nos questionamos, se encontraremos algo de bom ou mau. Vejam como a personagem Ash preve o que está acontecendo com a personagem de John Hurt. Ao final do filme, no decorrer da cena, entendemos o verdadeiro papel deste androide na aeronave. Cena excepcional, uma das melhores do cinema.



Esta cena, imediatamente me faz refletir, sobre o recente Prometheus, o qual é apresentado como a história antes de Alien, o oitavo passageiro. Se neste último filme, o papel do andróide é bem definido. No recente lançamento, o andróide interpretado de maneira visceral (?) por Michael Fassbander é o extremo da incerteza. Em nenhum momento, compreendemos a intencionalidade de suas ações. E isto, ao meu ver, torna um filme que tinha tudo para dar errado, espetacular.

Nesta nova obra, Scott pretende discutir não só as origens dos Aliens, mas possivelmente a origem da humanidade. A cena inicial, é muito interessante e lembra um pouco o início do inesquecível 2001 de Stanley Kubrick. Acredito que ele tenha bebido um pouco nas fontes de Erick Von Deiken e J.J. Benitz, pois a interpretação que ele nos apresenta é que de fato os "deuses eram astronautas". Neste aspecto, acho que tenha deslizado no roteiro, pois surge a impressão de que estes três minutos iniciais de projeção, derrubaram milhares de anos de darwinismo e evolucionismo.

O filme narra a jornada de um grupo de cientistas patrocinados por uma grande empresa, A Wayland que aparece em todos os filme da séries Alien, em busca destes deuses astronautas. Durante esta jornada somos apresentados a melhor personagem do filme, o andróide David. Enquanto toda tripulação hiberna por dois anos, David segue um rotina diária rigida e desenvolve uma profunda admiração por Peter O'Tool e sua personagem em Lawrence da Arábia (LA). Gosto muito de referências de filmes em outros filmes, pois nos permitem entender um pouco as influências do diretor. Acredito que o nome do andróide, David, é uma homenagem do diretor a David Lean, o qual dirigiu LA. É marcante a cena em que Fassbander, enquanto assisti ao filme LA, tingi seus cabelos, para ficar semelhante a O'Toole. Além disso, revela-se um pouco dos segredos do filme com a cena da brincadeira com os fósforos

O personagem de O'Toole é um ser estranho em uma terra estranha, que ganhará muita importância no decorrer da história. Explico: ele é um soldado britânico pouco interessado na guerra, mas buscando se descobrir e entender o mundo, mas ao final mudará a trajetória da Grande Guerra no Oriente Médico. O andróide David, também é um estranho em meio aos homens, que não compreende a razão de sua existência, mas que terá um grande papel na "estória". Além disto a brincadeira com o fogo, remete a própria lenda de Prometeus, o qual foi expulso do Olimpo por Zeus, ao presentear a humanidade com o fogo. Seu castigo foi ter seu fígado devorado por toda a eternidade por águias. No filme, entendemos que ao recebermos algo que não somos capazes de compreender ou respeitar, podemos ter conseqüências graves. Além do que, há uma relação entre o castigo de Prometeus e o surgimentos dos Aliens, pois ambos destroem as nossas entranhas.

Como esperado, os cientistas alcançam o seu objetivo e encontram sinais dos nossos deuses astronautas, mas como todo ser arrogante, não sabem lidar com isto. Nisto surge um dos diálogos mais interessantes do filme. David conversa com um dos cientistas e pergunta, por que eles o criaram. O cientista de maneira arrogante diz: "Porque nós podemos". E o andróide responde: "Imagine o desapontamento que você teria se ouviste isto dos seu criador". Na seqüência, pergunta ao cientista: "O que faria para alcançar aquilo que sempre sonhou?". O humano responde: "Tudo". E ao assistirmos o filme, percebemos o quanto a nossa arrogância é responsável pela nossa destruição. David cita mais uma vez O'Toole: "Grande acontecimentos, tem um início pequeno". Na ocasião, isto se referia ao impacto de um pequeno exército Beduíno contra os Turcos, e suas repercussões na grande guerra.

David é um ser em construção, em evolução? Ele não pode experimentar emoções? Mas por que gosta de partilhar os sonhos dos tripulantes? Eu vejo que o que nos motiva em seguir em frente é a incerteza do amanhã. A busca de emoções ainda não experimentadas. O que motivaria um andróide? Compreendemos no decorrer da trama que David, obedece ao seu pai, o seu criador. Poucos reconhecem Guy Pearce, sob uma péssima maquiagem. Entre ele e David se estabelece mais um diálogo interessante. O fundador da empresa e patrocinador da empreitada, acredita que ao encontrar os deuses astronautas, encontrará a chave para a vida eterna. Já prevendo que o encontro entre os seres humanos e os deuses não seria proveitosa, David utiliza uma das frases de O'Toole em LA: "Não há nada no deserto e o homem não precisa de nada". Isto já prevê a decepção da personagem de Pearce, que não alcançará nada após tamanha dedicação a viagem. Eu vejo mais adiante, qual a importância de compreendermos de onde viemos, para que viemos e para onde vamos, se não vamos utilizar isto para o bem maior. No "deserto" não há nada, ao nosso lado, entre os seres humanos, há muito a ser encontrado e partilhado.

O filme tem cenas espetaculares, mas acho que o 3D seria dispensável. E seu final, acaba sendo previsível demais, tirando o encantamento das reflexões que Scott conseguiu nos trazer ao final de  Blade Runner e Alien, o oitavo passageiro. Entretanto, a interpretação de Fassbander, seus quinze minutos de solidão, valem todo o filme. Acho um filme ainda pouco compreendido, que ganhará espaço não apenas entre os grandes filmes de 2012, mas também entre as grandes ficções de todos os tempos. Outro destaque no elenco é Noomi Rapace. Sua escolha como a "avó" de Ripley foi perfeita. É a Lisbeth Salander viajando ao espaço. Sua obstinação é extrema, culminando com a já clássica cena da "auto-cirurgia". Apesar das incongruências médicas, há muito tempo não assistia a cena tão chocante no cinema. Naqueles poucos minutos, Scott conseguiu despertar sentimentos de dor, horror e angústia. Cinema verdadeiramente visceral.

PS - Se você leu este post e ainda não assistiu ao filme, repare em um detalhe. A nave é apresentada com 17 tripulantes. Quantos compareceram a reunião da equipe após a hibernação?

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Artista - Uma Homenagem a História do Cinema

Esta semana, estava conversando com um amigo de infância e cinéfilo, o qual comentava o quanto havia ficado impressionado com um filme de Buster Keaton, "A General". Neste filme, Keaton, o palhaço que nunca ri, atua como maquinista de uma locomotiva, que recebe o nome do título do filme. Em meio a Guerra da Secessão Norte-Americana, ele tem sua locomotiva seqüestrada pelo exército dos Confederados, juntamente com sua "outra" amada, Annabele. Este é o mote, para que a personagem de Keaton passe por diversas situações até conquistar seus amores. Discutindo este filme, refletimos o quão pouco é necessário para termos um bom filme. O cinema é uma arte que envolve imagem e movimento, o qual bem trabalhados podem gerar mágica em nossa imaginação. É a nossa mente que conta a história, é a nossa mente que registra cada emoção experimentada durante aquelas horas de projeção. 

Assisti com muita alegria e emoção o excepciona "O Artista", do diretor francês Michel Hazanavicus. Em uma época em que valorizamos apenas o tecnológico, o moderno, o diretor retoma os princípios do cinema, ainda em sua era muda, fazendo uma grande homenagem a esta arte. De maneira minimalista, o diretor consegue mostrar com a sua narrativa de que o cinema arte pode estar aliado ao entretenimento sem perder em qualidade.

O filme procura explorar o período de transição entre o cinema mudo e cinema falado, na década de 1930. Esta temática já havia sido explorado em dois outros grandes clássicos do cinema  Crepúsculo dos Deuses (1950) e Cantando na Chuva (1952). O primeiro conta a história de um morto na mansão de uma ex-grande artista do cinema mudo, e o segunda tem uma linha muito semelhante a "O Artista", pois conta justamente as dificuldades dos atores em trabalhar coma voz.

O filme "O Artista" começa a me agradar deste o início com sua abertura imitando àquelas dos filmes dos anos 30 e 40. A narrativa conta a história de um grande artista do cinema mudo George Valentim, o qual sem dúvida alguma é uma homenagem a artistas como Douglas Fairbanks e Rodolfo Valentino, e que cai no ostracismo após o início do cinema mudo. Ao mesmo, acompanhamos a ascensão de uma jovem atriz Peppy Miller, a qual o próprio Valentim ajudou no início de sua carreira.

O filme conta com seqüências espetaculares, em um preto e branco rico em tons de cinza, e uma trilha sonora espetacular. Algumas cenas ficarão eternamente registradas em minha memória:

1- A jovem atriz Peppy Miller ao entrar no camarim de seu ídolo, George Valentim, encontra seu fraque e com uma candura raramente observada nas salas de projeções faz um afago, utilizando sua própria mão e criando uma ilusão de que seu ídolo a abraça. Perfeita!

2- Talvez esta seja uma das cenas que ficarão na história. Ao perceber que o fim do cinema mudo seria inevitável, Valentim se tranca em seu camarim, e, de repente, passa a ouvir sons dos objetos ao tocá-los, o som de suas passadas, o riso das pessoas, até o som de uma pena tocando o solo. Apenas sua voz não sai. Isto gera pânico nele. Lembrou-me muito uma cena do filme Crepúsculo dos Deus, em que a personagem Norma Desmond, interpretada por Gloria Swanson, ao chegar um estúdio de gravação depara-se com microfones e isto causa terror a ela.

3- Com a ruína do cinema mudo e ascensão do cinema falado, observamos uma metafora no filme. Em uma cena George Valentim encontra-se nas escadas com a atriz em inicio de carreira Peppy Miller. O primeiro desce as escadas, a segunda sobe. Não há maneira melhor de revelar a queda de um e o início do estrelato da outra. Cena inesquecível!

4- Como última tentativa de alavancar sua carreira, George Valentim tenta realizar um filme, o qual é um fracasso em sua estréia. Na cena final, a sua personagem afunda em areia movediça. Esta foi uma maneira muito inteligente do diretor mostrar o quanto a carreira de Valentim estava afundando. Ver esta cena, com o olhar piedoso da personagem Peppy Miller é de partir o coração e acho pouco provável alguém conter as lágrimas. Eu não contive...

Este filme é uma grande homenagem ao cinema e sua magia. É um filme um cinéfilo para cinéfilos. Sem dúvida alguma, estará em breve na videoteca de muitas pessoas. Por fim, fico refletindo a razão de uma produção francesa, um diretor francês e um elenco predominantemente francês fizeram um filme mudo tipicamente norte-americano. Seria uma maneira do diretor Hazanavicius dizer que se não falamos inglês estão mudos para o resto do mundo? A cena final em que o diretor de um filme pergunta a George Valentim se ele pode repetir uma cena e ele responde com um inglês com sotaque francês (única cena falada do filme) deu-me a resposta.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Espião que Sabia Demais - Por que estamos a um passo da destruição

Lembro-me do primeiro filme que assisti tendo Gary Oldman em seu elenco: "O Profissional". Neste filme, ele intrepretava um policial corrupto norte-americano e sua interpretação foi tâo visceral que imaginei que o mesmo fosse norte-americano. Desde então, passei a acompanhar sua carreira mais de perto. Eis que me surpreendo com o excepcional "O espião que sabia demais", do diretor Tomas Alfredson. Este filme é baseado na obra de John LeCarré, e já teve uma dapatação prévia, em que Alec Guiness interpretava o papel de Gerge Smiley.


O filme tem uma narrativa não linear e se passa no início dos anos 70. Este é um período em viviamos o apogeu da Guerra Fria, e os serviços de inteligêcia soviético (KGB) e norte-americana (CIA) faziam uma verdadeira batalha mental. Parecia que estavamos a todo momento a beira da terceira guerra mundial. Neste fogo-cruzado, estava o serviço secreto britânico, acreditando ainda ser importante, mas a força imperialista da Grã-Bretanha já havia se perdido. Este filme, foca justamente nos homens que compõem um grupo de elite, o Circus, dentro do serviço secreto britânico. Estes homens são "convidados" a todo momento a rever seu papel no mundo, o seu papel para a pátria.

A personagem de Oldman representa a tradição desta instituição, em que o dever está acima de tudo. Ele perde o seu emprego após um episódio desastraso envolvendo o seu chefe conhecido como Control e interpetado magistralmente pelo ótimo John Hurt. Chamou-me a atenção a atitude de resignação da personagem de Oldman, mesmo após a demissão, ele permance imutável. De fato, só ouvimos sua voz após 20 minutos do filme. Este homem representa a disciplina e o seu compromisso com o dever. Esta sua disciplina é tão árdua, que mesmo para nadar, em sua aposentadoria forçada, ele não tira os seus óculos. Seria uma maneira metafórica de dizer que nunca devemos deixar de observar?

Quando há suspeita de um agente duplo na Circus, Smiley, personagem de Oldman, é chamado de volta a ativa. Quem seria melhor para entender e capturar um espião além de outro espião experiente? Nesta nova tarefa, Smiley tem de reviver seu passado e questionar os seus princípios. Será que valeu tudo a pena? Quantos de nós, em nossa jornada diária, não nos questionamos quanto ao nosso real papel no mundo? Muitas vezes, envolvidos pela nossa rotina, perdemos o foco principal do nosso trabalho. E acho que mais que identificar o agente uplo, a personagem de Oldman busca identificar qual seria o papel da Circus naquele momento da história mundial.

Em todo momento, o filme revela o quanto o ser humano pode ser selvagem e violento na busca de objetivos, muitas vezes não muito bem definidos. Há uma cena muito marcante, em que uma das personagens, durante uma aula de francês para adolescentes, mata de maneira brutal uma coruja . Nisto identifico, mais uma mensagem matafórica: a violência, o ódio, estão latentes no homem e quando aflorados detroem nossa sabedoria (a coruja é o simbolo dos filósofos).

O nosso lado mais vulnerável está naquilo em que estabelecemos afeto. Neste sentido, o filme é brilhante em revelar  a necessidade de auto-preservação das pessoas naquele período, com diversos sacrifícios pessoais e abandono daqueles que são amados. O contra-espião que perde sua amada na Turquia, o jovem espião que termina seu relacionamento homo-afetivo ao ingressar em uma nova missão, e próprio Smiley que teve de superar o adultério de sua mulher para seguir com a sua carreira. Será que apenas enterrado nosso sentimentos nobres, seremos capazes de preservar a nossa sabedoria?

Excelente filme, e excelente grupo de atores. É um filme para ser assistido diversas vezes, pois em cada uma delas, teremos a percepção das nuances sentimentais de cada personagem, motivo maior da grandiosidade da obra.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os Descendentes - Quando um Homem se torna verdadeiramente Pai

Confesso que fui ao cinema com pouco interesse sobre este filme mais recente de George Clooney. Acredito que o fato de estar participando da corrida ao Oscar 2012 tenha sido o único atrativo inicial. Entretanto, este filme, leve e despretensioso, revelou-se um agradável surpresa.

A cena de abertura inicial de um filme pode traduzir, ou melhor, revelar muito do que nos aguarda pelos próximos minutos de projeção. Este filme começa com uma jovem senhora, que logo descobriremos ser a esposa da personagem de Clooney, esquiando no mar, com um belo sorriso, transbordando de felicidade. Neste ponto, a mensagem inicial do filme se revela: a felicidade é efêmera. Na sequencia, encontramos Clooney em quarto de hospital, acompanhando sua esposa, a qual está em estado vegetativo há um ano. Sua expressão nos revela o quanto a vida tem muitos dissabores, às vezes mais longos e duradouros do que aqueles breves momentos de alegria. E fica a pergunta: será que estamos preparados para os revezes da vida? Acho que por mais que eles sejam certos, nunca estamos.

Neste momento particular de sua vida familiar que o personagem de Clooney terá de se descobrir como marido, pai e profissional da área de advocacia. Antes do acidente de sua esposa, ele vivia em constante conflito com a mulher e estava a beira do divorcio. Era um pai distante das filhas, com pouco afeto, sem as conhece-las em sua intimidade. A interpretação de Clooney é marcante, e ele consegue trasnparecer o total desconforto do pai ao se relacionar com suas filhas, os quais parecem ser estranhas a ele. Nunca antes, seu papel como pai havia sido "cobrado", e agora ele teria de exercer de maneira plena. Ele terá de "descobrir" suas filhas, o que será a sua própria de viagem de redescobrimento pessoal. Nesta viagem, surgem alguns problemas. Ele terá de lidar com problemas familiares, negócios inacabados e, principalmente, descobrir o adultério de sua esposa. Como não conseguiu preceber antes que sua vida tinha tantos problemas?

O local onse se passa a trama tem um significado particular explicitado pela própria personagem de Clooney. A história se passa no arquipélogo do Havaí. Em determinada cena, em que sobrevoa as ilhas ele comenta: A família é como um arquipélogo de ilhas, todos fazem parte de um todo, mas são completamente diferentes entre si ( não é a citação literal). Vejo que hoje vivemos em nossa "ilhas" isolados uns dos outros, com pouca comunicação, com poucas tracas, mas queremos nos considerar parte do todo, seja na nossa família, no nosso trabalho ou na sociedade.

Uma vez que a esposa está em estado vegetativo de aspecto irreversível, é tomada a decisão em se desligar o suporte de vida e esperar com que a paciente siga seu curso "natural". E um outro momento muito interessante do filme surge: como lidar com a perda? Como deixar alguém que amamos partir? Neste aspecto, o diretor conduz com brilhantismo todas as etapas: dor, dúvida, questionamentos, paz. É marcante a cena em que o sogro de Clooney o acusa da situação atual da filha, por ter sido um péssimo esposo, em detrimento a dedicação e fidelidade de sua filha. Ficou registrado em minha mente o semblante de resignação de Clooney, o qual concorda com seu sogro e não revela a filha adultera e promíscua que ele tinha. Em que mudaria a situação tal revelação? Fico pensando o quanto algumas pessoas se gabam por não ter "papas na língua", mas não percebem o quanto este tipo de atitude pode machucar e ferir outra pessoa. De fato, na vida, devemos aprender a "engolir alguns sapos".

Lidar com  a morte não é lago simples, e acho que não há uma maneira correta. Entretanto vejo que a história apresentada no filme é uma lição de amadurecimento de uma família. A cena final, em que o pai assiste de maneira prosaica um documentário sobre o pinguin Imperador é extremamnete significativa. A vida não é de constante sofrimento nem tampouco de constante alegria. A vida é feita de momentos, e maneira com que os encaramos é que trará um signficado final. O importante é que no final possamos dizer que a vida valeu a pena, não só por nossa "ilha", mas pelo nosso "arquipélogo".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os Homens que nâo amavam as Mulheres - Um soco punk nos thrillers modernos

Aguardei com ansiedade a estréia cinematográfica, em sua versão norte-americana, da adaptação do primeiro livro da Trilogia Millenium. Recentemente concluí a leitura dos três livros, e fiquei impressionado com a criatividade e o ritmo de leitura das três obras de Stieg Larsson. Não há dúvida de que a grande personagem desta obra é Lisbeth Salander, a anti-heroína punk da Escandinavia. Salvo as devidas proporções, ela não deixa em nada a desejar aos grandes detetives da literatura mundial como Hercule Poirot ou Sherlock Holmes, obviamente com uma alta dose cyberpunk.

O diretor do filme, David Fincher, responsável pelo espetacular Seven e Rede Social, acertou ao manter a história na Suécia, apesar das críticas com relação aos dialogos em inglês com sotaque. É impossível imaginar uma personagem com Lisbeth em uma cidade não européia. Ele representa um lance genial do autor, em criar um indivíduo capaz de sobrepor qualquer limite ou regra social pré-estabelecida. Os gênios estão fora da curva de Gauss.

Já havia assistido a versão sueca, a qual considero muito boa, mas devo admitir que a construção das personagens, ficou muito melhor na versão norte-americana. Apesar dos deslizes, no roteiro, em relação ao livro original, fiquei com a impressão dos personagens estarem mais verossímeis nesta versão recente. Não é a toa que Rooney Mara, a intérprete de Salander, será candidata ao Oscar de atriz coadjuvante. Pode ser que não ganhe, mas a sua interpretação ficará eternizada como a verdadeira Lisbeth Salander.

Gosto de personagens que conseguem transmitir a mensagem sem nenhuma palavra, e a triz Rooney Mara conseguiu isto para sua Lisbeth. A cena final em que ela programa-se para encontrar a persoanegm de Daniel Craig, Mikael Blomqvist, é impagável. Prestem atenção na mudança sútil de semblante, e você saberá exatamente o que ela esta pensando.

A leitura de um livro jamais será substituída pela sua versão cinematográfica, com raríssimas exceções, como por exemplo O Nome da Rosa de Umberto Eco. Entretanto, vejo que a Triologia Millenium terá um comportamento semlhante ao filme Você quer ser um Milionário de Dany Boyle. A versão literária, em que foi baseado, Sua Resposta Vale um Bilhão, é infinitamente superior e recomendo mesmo a aqueles que já assistiram o filme.

Por fim, gostaria de destacar a excelente cena de abertura, com a música de Led Zepllin , Immigrant Song, sampleada e com vocais de Karen O. São estes cuidados que tornam uma obra cinematográfica grande. Vejo que até a escolha da vocalista foi muito criteriosa. Acho que Karen O é uma versão real e de peso, com trocadilhos, de Lisbeth Salander.


Não é o melhor filme de David Fincher, não é o melhor thriller policial, mas sem dúvida é um filme que merece ser assistido. Se você tiver lidos os livros antes, a diversão será ainda maior, buscando as mensagens escondidas em cada cena. Porcurem a revista Expo, no cenário da Revista Millenium. Esta foi a revista a revista que autor Stig Larsson publicava antes de falecer subitamente ao concluir a triologia. Outro detalhe bem interessante é a presença do ator Joel Kinnaman, como um coadjuvante da equipe da revista Millenium. Ela faz o papel de Stephen Holder, no seriado imperdivel The Killing, o qual é baseado em uma série nórdica também.

Enfim, filme punk, presonagens punks, diretor punk. Mas mesmo sem ser punk, não deixe de assistir.