Lembro-me do primeiro filme que assisti tendo Gary Oldman em seu elenco: "O Profissional". Neste filme, ele intrepretava um policial corrupto norte-americano e sua interpretação foi tâo visceral que imaginei que o mesmo fosse norte-americano. Desde então, passei a acompanhar sua carreira mais de perto. Eis que me surpreendo com o excepcional "O espião que sabia demais", do diretor Tomas Alfredson. Este filme é baseado na obra de John LeCarré, e já teve uma dapatação prévia, em que Alec Guiness interpretava o papel de Gerge Smiley.
O filme tem uma narrativa não linear e se passa no início dos anos 70. Este é um período em viviamos o apogeu da Guerra Fria, e os serviços de inteligêcia soviético (KGB) e norte-americana (CIA) faziam uma verdadeira batalha mental. Parecia que estavamos a todo momento a beira da terceira guerra mundial. Neste fogo-cruzado, estava o serviço secreto britânico, acreditando ainda ser importante, mas a força imperialista da Grã-Bretanha já havia se perdido. Este filme, foca justamente nos homens que compõem um grupo de elite, o Circus, dentro do serviço secreto britânico. Estes homens são "convidados" a todo momento a rever seu papel no mundo, o seu papel para a pátria.
A personagem de Oldman representa a tradição desta instituição, em que o dever está acima de tudo. Ele perde o seu emprego após um episódio desastraso envolvendo o seu chefe conhecido como Control e interpetado magistralmente pelo ótimo John Hurt. Chamou-me a atenção a atitude de resignação da personagem de Oldman, mesmo após a demissão, ele permance imutável. De fato, só ouvimos sua voz após 20 minutos do filme. Este homem representa a disciplina e o seu compromisso com o dever. Esta sua disciplina é tão árdua, que mesmo para nadar, em sua aposentadoria forçada, ele não tira os seus óculos. Seria uma maneira metafórica de dizer que nunca devemos deixar de observar?
Quando há suspeita de um agente duplo na Circus, Smiley, personagem de Oldman, é chamado de volta a ativa. Quem seria melhor para entender e capturar um espião além de outro espião experiente? Nesta nova tarefa, Smiley tem de reviver seu passado e questionar os seus princípios. Será que valeu tudo a pena? Quantos de nós, em nossa jornada diária, não nos questionamos quanto ao nosso real papel no mundo? Muitas vezes, envolvidos pela nossa rotina, perdemos o foco principal do nosso trabalho. E acho que mais que identificar o agente uplo, a personagem de Oldman busca identificar qual seria o papel da Circus naquele momento da história mundial.
Em todo momento, o filme revela o quanto o ser humano pode ser selvagem e violento na busca de objetivos, muitas vezes não muito bem definidos. Há uma cena muito marcante, em que uma das personagens, durante uma aula de francês para adolescentes, mata de maneira brutal uma coruja . Nisto identifico, mais uma mensagem matafórica: a violência, o ódio, estão latentes no homem e quando aflorados detroem nossa sabedoria (a coruja é o simbolo dos filósofos).
O nosso lado mais vulnerável está naquilo em que estabelecemos afeto. Neste sentido, o filme é brilhante em revelar a necessidade de auto-preservação das pessoas naquele período, com diversos sacrifícios pessoais e abandono daqueles que são amados. O contra-espião que perde sua amada na Turquia, o jovem espião que termina seu relacionamento homo-afetivo ao ingressar em uma nova missão, e próprio Smiley que teve de superar o adultério de sua mulher para seguir com a sua carreira. Será que apenas enterrado nosso sentimentos nobres, seremos capazes de preservar a nossa sabedoria?
Excelente filme, e excelente grupo de atores. É um filme para ser assistido diversas vezes, pois em cada uma delas, teremos a percepção das nuances sentimentais de cada personagem, motivo maior da grandiosidade da obra.
Esse filme realmente é excelente, um filme bem diferente do que holywood sempre mostrou sobre agente secreto... Um filme lento, mas muito denso, daqueles que se piscarmos perdemos cenas importantes e dai todo o filme vai por água abaixo...
ResponderExcluirAmei esse filme...