domingo, 12 de fevereiro de 2012

Os Descendentes - Quando um Homem se torna verdadeiramente Pai

Confesso que fui ao cinema com pouco interesse sobre este filme mais recente de George Clooney. Acredito que o fato de estar participando da corrida ao Oscar 2012 tenha sido o único atrativo inicial. Entretanto, este filme, leve e despretensioso, revelou-se um agradável surpresa.

A cena de abertura inicial de um filme pode traduzir, ou melhor, revelar muito do que nos aguarda pelos próximos minutos de projeção. Este filme começa com uma jovem senhora, que logo descobriremos ser a esposa da personagem de Clooney, esquiando no mar, com um belo sorriso, transbordando de felicidade. Neste ponto, a mensagem inicial do filme se revela: a felicidade é efêmera. Na sequencia, encontramos Clooney em quarto de hospital, acompanhando sua esposa, a qual está em estado vegetativo há um ano. Sua expressão nos revela o quanto a vida tem muitos dissabores, às vezes mais longos e duradouros do que aqueles breves momentos de alegria. E fica a pergunta: será que estamos preparados para os revezes da vida? Acho que por mais que eles sejam certos, nunca estamos.

Neste momento particular de sua vida familiar que o personagem de Clooney terá de se descobrir como marido, pai e profissional da área de advocacia. Antes do acidente de sua esposa, ele vivia em constante conflito com a mulher e estava a beira do divorcio. Era um pai distante das filhas, com pouco afeto, sem as conhece-las em sua intimidade. A interpretação de Clooney é marcante, e ele consegue trasnparecer o total desconforto do pai ao se relacionar com suas filhas, os quais parecem ser estranhas a ele. Nunca antes, seu papel como pai havia sido "cobrado", e agora ele teria de exercer de maneira plena. Ele terá de "descobrir" suas filhas, o que será a sua própria de viagem de redescobrimento pessoal. Nesta viagem, surgem alguns problemas. Ele terá de lidar com problemas familiares, negócios inacabados e, principalmente, descobrir o adultério de sua esposa. Como não conseguiu preceber antes que sua vida tinha tantos problemas?

O local onse se passa a trama tem um significado particular explicitado pela própria personagem de Clooney. A história se passa no arquipélogo do Havaí. Em determinada cena, em que sobrevoa as ilhas ele comenta: A família é como um arquipélogo de ilhas, todos fazem parte de um todo, mas são completamente diferentes entre si ( não é a citação literal). Vejo que hoje vivemos em nossa "ilhas" isolados uns dos outros, com pouca comunicação, com poucas tracas, mas queremos nos considerar parte do todo, seja na nossa família, no nosso trabalho ou na sociedade.

Uma vez que a esposa está em estado vegetativo de aspecto irreversível, é tomada a decisão em se desligar o suporte de vida e esperar com que a paciente siga seu curso "natural". E um outro momento muito interessante do filme surge: como lidar com a perda? Como deixar alguém que amamos partir? Neste aspecto, o diretor conduz com brilhantismo todas as etapas: dor, dúvida, questionamentos, paz. É marcante a cena em que o sogro de Clooney o acusa da situação atual da filha, por ter sido um péssimo esposo, em detrimento a dedicação e fidelidade de sua filha. Ficou registrado em minha mente o semblante de resignação de Clooney, o qual concorda com seu sogro e não revela a filha adultera e promíscua que ele tinha. Em que mudaria a situação tal revelação? Fico pensando o quanto algumas pessoas se gabam por não ter "papas na língua", mas não percebem o quanto este tipo de atitude pode machucar e ferir outra pessoa. De fato, na vida, devemos aprender a "engolir alguns sapos".

Lidar com  a morte não é lago simples, e acho que não há uma maneira correta. Entretanto vejo que a história apresentada no filme é uma lição de amadurecimento de uma família. A cena final, em que o pai assiste de maneira prosaica um documentário sobre o pinguin Imperador é extremamnete significativa. A vida não é de constante sofrimento nem tampouco de constante alegria. A vida é feita de momentos, e maneira com que os encaramos é que trará um signficado final. O importante é que no final possamos dizer que a vida valeu a pena, não só por nossa "ilha", mas pelo nosso "arquipélogo".

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