quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Larry Crowne - quando um grande ator perde sua coroa como diretor

Assistir a um filme no cinema sempre desperta uma emoção a mais. O fato de estarmos diante de uma tela enorma desperta de maneira inconciente o quanto somos insignificantes para o mundo, mas podemos ser extremamente especiais para quem está ao nosso lado. De qualquer forma, ao apagar das luzes e ao ouvirmos o som do projetor, uma sensação diferentes nos domina. Portanto, a expectativa que é gerada para as próximas duas horas de projeção é enorme. Como saíremos após ao fim do filme? Mais felizes? Mais tristes? Pessoas mais dispostas a mudar a realidade em nossa volta?
Escolher o filme a ser assistido passa a ser então uma decisão de como conduziremos nossa vida daquele ponto em diante (na verdade, não acho que todos encaram com tamanha seriedade a escolha de um filme). Esta semana, fomos envolvidos pela propaganda do mais novo filme de Tom Hanks, entitulado "Larry Crowne".

Um filme estrelado por um ganhador de dois Oscar não deixa de ser atrativo. Além do que, seria a sua estréia na direção com roteiro próprio. Enfim, finalmente o ator consiguirá externar de maneira plena toda a sua criatividade. Entretanto, o resultado foi desastraso.
O filma conta a história do personagem título, que perde seu emprego em uma rede de supermercados, por não ter nível superior. E numa tentativa de buscar uma nova direção em sua vida, Larry opta por retornar, ou melhor, iniciar a faculdade. Nisto, a idéia de Hanks foi muito interessante, pois coloca o típico americano -branco, protestante e caucasiano, no miolo da crise financeira que assola aquela nação. Poderia, ser um belo filme sobre a redifinição do povo americano e seus valores, mas acaba descambando para uma péssima comédia pastelão. A primeira vez que vi um filme com Hanks, foi o fenomenal "BIG - Quero ser grande" e, até hoje, fervilha em minha mente, a cena dele tocando o piano gigante na loja de brinquedos.
 Ele interpretava naquele filme, um jovem de treze anos inconformado com as limitações socias de sua idade, e que em um passe de mágica, torna-se um adulto. Ao final, o jovem compreende que ser adulto tem muito mais obrigações do que diversões, e entende que a vida tem diferentes etapas que devem ser cumpridas no momento certo. No seu novo filme, o personagem de Hanks, o Larry do título, quer não apenas voltar a estudar, mas voltar a ser um jovem universitário. E neste ponto, o filme perde o seu rumo, assim como o personagem. A idéia, o enredo se perdem nas tentativas do fracassado Larry em se enturmar com os jovens da faculdade. Ele troca seu guarda-roupa, compra uma lambreta e faz piada com tudo. Ridículo...
Uma bela oportunidade de mostrar a realidade americana sob a ótica de um americano sofrendo as penalidades da globalização e concorrência, acaba sendo perdida. O que passamos a acompanhar é um verdadeira repetição de clichês, inclusive o mais batido: o aluno que se apaixona pela professora. Aliás, a personagem de Júlia Roberts (belíssima atriz, sejamos honestos), não mostra a que veio. O mau-humor da personagem é diretamente proporcional a insatisfação da atriz e seu desconforto com o papel. O enredo não consegue, inclusive, explicar como o simpático Larry se apaixona pela tenebrosa professora.
Apesar de tudo isto, ao final do filme, eu e Maira saímos rindo. Para aqueles que ainda tiverem disposição de encarar o filme após esta resenha, não deixem de assistir aos créditos finais: a melhor parte do filme. Tom Hanks e Julia Roberts em cima da lambreta, em estúdio, com imagens monatadas ao fundo e ao som de uma música alegre. Eles riem e acenam para a platéia, como dizendo: "Obrigado seus panacas! Fiz o meu filme, ganhei minha grana e ainda consegui enganar vocês! Obrigado! HaHaHa!".
Como dizia no início, assistir a um filme sempre desperta uma emoção a mais. Jamais imaginaria que seria enganado belo bom moço, Tom Hanks, o Forrest Gump. Mas como dizia o seu personagem no filme homônimo: " A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar". Eu parafrazeio e digo: "Um ator que vira diretor é como uma caixa de chocolate, você nunca saberá que tipo de filme vai encontrar".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Por que começar um blog sobre cinema?

Acredito que partilhar idéias e conhecimentos é o melhor caminho para construção de uma sociedade mais produtiva e tolerante. Qaundo lei artigos assinados por Stephen Kanitz ou Lya Luft, fico imaginado em que posso acrescentar.
Meus familiares e amigos mais próximos sabem o apreço que tenho pela sétima arte, dedicando-me ao seu entendimento de forma quase obsessiva. Sou capaz de passar horas discutindo sobre as impressões e sentimentos despertados por um filme.
Acho que ao criar este blog, posso deixar registrada a minhas impressão sobre as películas que mais me agradaram e partilhá-las de maneira definitiva com meus amigos mais próximos.
Não tenho como objetivo atingir um quantidade, mas permitir que possa melhorar a qualidade com que eu e e aqueles que estão próximos apreciam a um filme.
Não tenho conhecimento técnico, mas acredito que tenha um coração e uma mente aberta a entender aquilo que um cineasta ou um ator gostariam de comunicar através de uma cena ou de um diálogo.
Não discutirei filmes inteiros, mas eventualmente, alguma cena ou diálogo em particular. Poderei falhar em alguma precisão nas informações técnicas, mas acredito que no escurinho do cinema, mais vale a emoção do que a razão. Para abrir este blog, deixo uma das cenas mais emblemáticas do cinema , do filme "Um corpo que cai" de Alfred Hitchcock: